PL 2.338/2023: o que o marco legal da IA pode mudar nas empresas
O PL 2.338/2023 organiza o uso de IA no Brasil por nível de risco. Veja em que pé está, o que pode mudar e como sua empresa pode se preparar desde já.
O PL 2.338/2023 é o projeto que cria o marco legal da inteligência artificial no Brasil. Em resumo, ele classifica o uso de IA por nível de risco: proíbe usos de risco excessivo e cria obrigações extras para sistemas de alto risco, como avaliação de impacto, supervisão humana, transparência e registros. O texto foi aprovado pelo Senado em 10 de dezembro de 2024, mas ainda não é lei.
Para quem lidera uma empresa, a pergunta prática não é apenas quando a lei sai, e sim o que já dá para organizar hoje. Este resumo explica o estágio do projeto, a lógica de risco e os pontos que tendem a afetar a operação. Ele não é orientação jurídica: o texto pode mudar, e cada decisão deve ser confirmada com o time jurídico da sua empresa.
Em que pé está o PL 2.338/2023?
O projeto passou pelo Senado em 10 de dezembro de 2024 e seguiu para a Câmara dos Deputados. Até outubro de 2026, ele continuava em análise em uma comissão especial da Câmara, com a votação adiada para depois das eleições de outubro de 2026.
Esse caminho importa porque o texto ainda pode ser alterado. Se a Câmara fizer mudanças, o projeto volta ao Senado antes de seguir adiante. Ou seja: prazos, definições e obrigações que circulam hoje podem não ser os da versão final.
Por isso, a leitura mais segura é tratar o PL como uma direção, não como regra fechada. A lógica de risco, porém, tem sido o eixo do debate desde o início, e é ela que ajuda a empresa a se organizar sem depender da redação final.
O que é a abordagem baseada em risco?
A ideia central é simples: quanto maior o impacto possível de um sistema de IA sobre pessoas e direitos, maiores as exigências. Alguns usos são considerados de risco excessivo e ficam proibidos. Outros são classificados como de alto risco e passam a ter obrigações adicionais. O restante segue regras mais leves.
Para sistemas de alto risco, o texto aprovado no Senado prevê obrigações como avaliação de impacto antes do uso, supervisão humana sobre as decisões, transparência sobre como o sistema funciona e manutenção de registros. Em linguagem de negócio: saber o que a IA faz, quem responde por ela e conseguir provar o que aconteceu.
Quais usos entram em cada categoria é justamente um dos pontos que ainda podem mudar na Câmara. Sua empresa não precisa adivinhar a lista final, mas precisa saber quais dos seus usos de IA tocam decisões sobre pessoas, crédito, saúde, emprego ou acesso a serviços, porque são esses que costumam pesar mais em qualquer classificação de risco.
O que o marco legal da IA pode mudar para as empresas?
A primeira mudança é de visibilidade. Muitas empresas usam IA em vários pontos, de atendimento a análise de documentos, sem um inventário único. Um marco legal baseado em risco pressupõe que a empresa saiba onde a IA está, para que serve e que dados usa.
A segunda é de responsabilidade. Supervisão humana significa ter pessoas nomeadas que acompanham e podem revisar decisões relevantes. Registros significam conseguir reconstruir, depois, por que uma decisão foi tomada. Isso vale tanto para sistemas próprios quanto para soluções de fornecedores, o que deve levar a revisões de contrato.
A terceira é de convivência com regras que já existem. O PL não substitui a LGPD, que segue em vigor com a ANPD como autoridade, nem as normas setoriais de órgãos como Bacen, CVM, ANS e Anvisa. Na prática, a governança de IA tende a se somar à governança de dados e de risco que a empresa já tem.
Vale lembrar que a responsabilidade não some quando a IA vem de um fornecedor. Se a sua empresa usa um sistema de terceiros para apoiar uma decisão relevante, ela continua precisando entender o que o sistema faz, quais dados usa e como uma decisão pode ser revista. Por isso, transparência e registros tendem a virar itens de contrato, e não apenas de tecnologia. Como o texto pode mudar, confirme com o time jurídico como isso se aplica a cada caso.
Como se preparar sem esperar a lei: um roteiro em 5 passos
1 · Faça um inventário dos usos de IA. Liste sistemas próprios, ferramentas contratadas e iniciativas em teste. Para cada um, anote a finalidade, a área dona e os dados envolvidos.
2 · Faça uma classificação preliminar de risco. Marque os usos que afetam decisões sobre pessoas ou direitos. Essa classificação é interna e deve ser revista quando o texto final for aprovado, mas já mostra onde concentrar esforço.
3 · Nomeie responsáveis humanos. Para cada uso relevante, defina quem acompanha o sistema, quem pode revisar uma decisão e quem responde se algo der errado. Supervisão sem dono não funciona.
4 · Registre decisões e regras. Guarde quais dados o sistema acessou, qual regra aplicou e quem aprovou. Uma trilha de auditoria simples hoje evita uma reconstrução difícil amanhã.
5 · Revise contratos e fornecedores com o jurídico. Verifique o que os fornecedores de IA oferecem em transparência, registros e proteção de dados. Confirme com o time jurídico como acompanhar a tramitação e quando ajustar cada ponto.
Como a Semantix opera IA com a regulação em mente
Na Semantix, agentes de IA e especialistas operam processos de TI e de negócio com regras claras. O Safetix, parte da Semantix AI Suite, governa essa operação: define regras e permissões, dá acesso só ao que é necessário e rastreia cada execução, com as aprovações humanas registradas. Os dados pessoais são mascarados antes de chegar ao modelo, e o cliente escolhe onde os modelos rodam, inclusive no Brasil ou em ambiente próprio.
Acompanhamos as discussões do PL 2.338/2023 e da ABRIA, além da LGPD e das regras setoriais, e operamos com certificações ISO 27001, ISO 27701, PCI-DSS e SOC 2 Type II. Se você quer saber onde está o risco na sua operação, o caminho começa por um diagnóstico.
Você escolhe até onde a Semantix vai: usar a Semantix AI Suite com o seu time, construir junto com a Semantix ou contratar a operação. É assim que a Semantix, The Enterprise AI Company, constrói empresas que aprendem.
“Trate o PL como uma direção, não como regra fechada: saber onde a IA está e quem responde por ela vale com qualquer versão final.”
Insights
Perguntas frequentes
O PL 2.338/2023 já está em vigor?
Não. O projeto foi aprovado pelo Senado em 10 de dezembro de 2024 e, até outubro de 2026, seguia em análise em uma comissão especial da Câmara dos Deputados, com votação adiada para depois das eleições. Se a Câmara alterar o texto, ele volta ao Senado.
O que é um sistema de IA de alto risco no PL 2.338?
É um sistema cujo uso pode ter impacto relevante sobre pessoas e direitos e que, por isso, teria obrigações extras, como avaliação de impacto, supervisão humana, transparência e registros. A lista de usos considerados de alto risco ainda pode mudar na Câmara, por isso vale confirmar com o time jurídico.
O marco legal da IA substitui a LGPD?
Não. A LGPD (Lei 13.709/2018) continua em vigor, com a ANPD como autoridade, e se aplica sempre que a IA trata dados pessoais. O marco legal da IA tende a se somar à LGPD e às normas setoriais.
Minha empresa precisa esperar a lei para agir?
Não precisa. Inventariar os usos de IA, classificar riscos, nomear responsáveis e registrar decisões são práticas úteis com qualquer versão final do texto. Os ajustes específicos devem ser feitos com orientação jurídica quando a lei for aprovada.